Espondilolistese lombar

Espondilolistese lombar, exercícios proibidos e fortalecimento com eletroestimulação

A expressão «espondilolistese lombar» é algo que ouço (e com que lido) desde os meus 14 anos.

Num jogo de futebol, com um frio tremendo em pleno mês de janeiro, estava à baliza e, sem ter aquecido adequadamente, começou o jogo.

De repente, a equipa adversária aproximou-se da minha baliza.

Um avançado rematou uma bola para o meu lado esquerdo e tentei afastá-la com o pé direito. Nesse momento rodei a cintura e senti um “crack” na zona lombar.

Naquele momento não soube o que tinha acontecido, mas sentia que algo não estava bem na zona lombar das minhas costas.

Quando acabámos o jogo e perdi a tensão muscular, lembro-me de começar a sentir uma dor aguda na zona lombar e custou-me muito chegar a casa.

Estive muitos meses sem me conseguir baixar e sem conseguir fazer exercício. Caminhava muito devagar porque, a cada passo, a zona lombar doía-me.

O único remédio que apliquei naquela altura foram panos de calor seco. Aquecia-os com o ferro de engomar e aplicava-os na zona dolorosa.

Viver com espondilolistese e andar de bicicleta

Naquela altura eu era jovem. Com 14 anos não pensava no que era viver com espondilolistese.

O problema veio depois, quando aos 16 anos quis andar de bicicleta com espondilolistese.

Espondilolistese e bicicleta. Como andar de bicicleta com espondilolistese

Com 17 anos, nos meus inícios com a bicicleta, lá estava a lesão lombar que fiz naquele jogo de futebol por não ter aquecido bem.

Minha nossa, como me doíam as costas em cada pedalada… muito mais intensamente a partir da segunda hora de treino…

A dor lombar era insuportável, sobretudo quando a estrada começava a subir e tinha de “puxar pelos rins”. Ao realizar um esforço intenso, não conseguia fazer força com as pernas porque a dor nos lombares bloqueava-me da cintura para baixo.

Lembro-me de sentir dor aguda nas costas e nas pernas, especialmente nos dias de frio. Era muito complicado acompanhar o grupo quando apertavam o ritmo e subiam os watts.

A falta de força em ambas as pernas a partir da segunda hora era evidente, mas a dor mais forte estava na região lombar. Era especialmente intensa nos dias de frio.

Hoje, com quase 50 anos, consigo andar de bicicleta com espondilolistese sem essa dor irradiada em ambas as pernas.

Também não tenho dor na coluna lombar.

E consigo estar de pé mais de uma hora sem dor na região lombar nem nos glúteos.

Consegui criar uma rotina para fortalecer os músculos da zona lombar e a minha vida é normal.

Neste artigo vou contar-te como se pode viver com espondilolistese.

Como fiz e continuo a fazer (porque a espondilolistese vai acompanhar-me durante o resto da minha vida) para fortalecer todas as semanas os músculos lombares sem stressar a coluna, e como alguns dos meus clientes chegaram a evitar mais de uma cirurgia de espondilolistese lombar programada graças à eletroestimulação.

O que é a espondilolistese?

A espondilolistese lombar é o deslizamento de uma vértebra sobre a vértebra inferior. Em alguns casos, esse deslizamento está associado a uma fratura ou defeito ósseo chamado espondilólise. No meu caso, a lesão situa-se em L5 e vem acompanhada de espondilólise.

De forma geral, as vértebras lombares L4, L5 e S1 são as mais afetadas porque suportam mais carga mecânica, embora a espondilolistese também possa aparecer na zona cervical.

Neste artigo vou centrar-me na espondilolistese da coluna lombar, que é a que me afeta e sobre a qual tenho boa experiência.

Causas da espondilolistese lombar

Como te contei, no meu caso a origem foi um forte traumatismo a jogar futebol. Fratura e deslizamento da vértebra. Outras causas da espondilolistese lombar são o desgaste ósseo e da cartilagem produzido pela idade ou por algum problema degenerativo, fratura óssea, excesso de peso ou até artrite reumatoide.

Costuma haver mais mulheres do que homens com este problema ósseo na região lombar e parece que, a partir dos 50 anos, surgem mais casos.

Nesta zona aparecem também lesões como a espondiloartrose lombar e, embora este recurso que te vou apresentar também possa ser útil para essa condição, vou centrar-me principalmente na espondilolistese.

Sintomas da espondilolistese

No meu caso, o principal sintoma era dor nas pernas e na zona lombar quando estava muito tempo de pé. Não conseguia estar mais de 30 minutos parado de pé. A partir desse tempo, sentia a mesma dor aguda e o bloqueio das pernas que sentia quando andava de bicicleta com frio. Quando ia ver procissões na Semana Santa, tinha sempre de ter por perto um sítio onde me pudesse sentar.

Hoje aguento facilmente duas horas, mas mais do que isso já começo a sentir a zona lombar carregada e peso nas pernas. Ainda assim, passei de conseguir estar de pé sem dor durante 20 minutos para um pouco mais de duas horas. Nada mau…

Se a lesão está na zona lombar, os sintomas mais comuns são:

  • Dor na parte baixa das costas ou região lombar.
  • Irradiação da dor lombar para os glúteos quando pegas em peso ou estás muito tempo de pé sem sair do mesmo sítio.
  • Bloqueio de ambas as pernas devido à dor quando sobrecarregas as costas.
  • Contraturas frequentes da musculatura isquiotibial.
  • Dor aguda ao estar de pé ou ao caminhar.
  • Fraqueza e dor no trem inferior e na zona lombar quando andas de bicicleta e realizas um esforço intenso.
  • Impossibilidade de fletir a coluna sem dor, com uma sensação contínua de desconforto. Para apanhar algo do chão, tens de fletir as pernas porque, se fletires a coluna, não tens total segurança de que vais conseguir voltar a endireitar-te.
  • Em alguns casos pode chegar a provocar problemas de incontinência, porque os nervos que controlam os esfíncteres estão ligados à L5.

Se tens espondilolistese na zona cervical, a dor pode irradiar para os braços.

Tanto na zona lombar como na cervical, a dor e a sensação são muito parecidas com as de uma hérnia discal.

Tempo de baixa por espondilolistese

Em alguns casos, a espondilolistese é incapacitante, sendo necessária cirurgia para corrigir o problema.

Noutros casos menos graves, há momentos em que espondilolistese e trabalho não se dão bem, chegando a ser debilitante e provocando um impacto negativo profundo na qualidade de vida da pessoa.

Tanto estar muito tempo sentado ( informáticos, contabilistas, administrativos ) como ter um trabalho físico em que é necessário forçar a coluna (pedreiro, canalizador, jardineiro ) podem agravar esta condição com dor ou dificuldade em executar certos movimentos necessários para realizar o trabalho.

O tempo de baixa laboral por espondilolistese depende da degeneração do disco, da existência ou não de compressão nervosa e, claro, da dor sentida. Pode variar entre três dias e uma semana, chegando em muitos casos a vários meses de baixa por esta condição.

Em algumas circunstâncias é necessária a operação. Nestes casos, a recuperação completa pode durar até um ano.

Mas em muitos outros casos (como o meu) fortalecer os músculos abdominais e lombares sem impacto nem stress para a coluna, através da eletroestimulação, pode retirar a dor e melhorar a qualidade de vida da pessoa, reduzindo o tempo de baixa laboral por espondilolistese.

Sem impacto. Sem stressar a coluna.

Se achas que fortalecer a zona lombar te pode ajudar a tratar a espondilolistese, antes de começares consulta o teu médico ou fisioterapeuta. Eles têm sempre a última palavra.

Quais são os tratamentos para reduzir a dor lombar

Isto é terreno dos médicos, porque existem diferentes graus de espondilolistese e, em alguns casos, pode ser necessária uma operação na coluna vertebral. Mas, felizmente, posso falar de vários casos , sobretudo em pessoas com mais de 50 anos, em que conseguimos evitar a cirurgia. E vou contar-te como.

Um dos tratamentos mais frequentes que médicos e especialistas recomendam para tratar a espondilolistese é o exercício para fortalecer a zona lombar.

Ao fortalecer os músculos da região lombar, estabilizas a articulação e a dor reduz-se, podendo até desaparecer, como aconteceu no meu caso, permitindo fazer uma vida normal e sem desconfortos importantes.

Mas claro… que exercícios fazes quando tens espondilolistese L5-S1 se qualquer movimento que realizas te pode deixar pior e causar mais dor?

É preciso ter cuidado porque nem todos os exercícios servem para reforçar a coluna com esta lesão.

Se fizeres algum exercício voluntário, deve ser deitado no chão, de barriga para cima, fletindo ambas as pernas e elevando a zona lombar do chão, como na imagem abaixo.

Deve ser o teu fisioterapeuta a indicar-te como realizar estas rotinas, porque há alguns exercícios proibidos para a espondilolistese.

Exercícios proibidos com espondilolistese e a corrida dos ratos

Se vais ao ginásio e tens uma lesão na zona lombar (espondilolistese, espondilólise, espondiloartrose lombar, hérnia discal…) os exercícios para fortalecer os músculos lombares de forma voluntária podem stressar a articulação, ou seja, a coluna vertebral.

Se este é o teu caso, podes sofrer aquilo a que eu chamo “corrida dos ratos”, aquela roda em que os ratinhos domésticos correm e correm, mas não chegam a lado nenhum.

Também é conhecida como “pescadinha de rabo na boca”.

Um exemplo.

Doem-te as costas e decides fortalecer a zona lombar. Vais ao ginásio e começas a fazer a tua tabela de exercícios. Ao terminar, notas um ligeiro desconforto nos lombares, mas quando chegas a casa a dor aumenta e começam a doer-te a parte baixa das costas e ambas as pernas.

A dor agrava-se no dia seguinte, por isso já não consegues ir ao ginásio. Tens de ficar uma semana parado até que a dor reduza ou desapareça.

Passada uma semana, voltas ao ginásio e repete-se novamente a mesma sequência, aparecendo o mesmo problema.

Outra vez dor. De novo uma semana parado.

E voltas na semana seguinte e outra vez acontece o mesmo. E outra vez…

Essa é a corrida do rato. Esforças-te, mas não chegas a lado nenhum. Sempre com dor e sempre com os músculos lombares fracos.

As costas doem-te porque os teus músculos estão fracos. Sabes que a solução é torná-los mais fortes, mas quando os treinas, como estão fracos, ficam logo contraídos. Por isso, tens de voltar a parar para que a dor passe e, claro, com tanto tempo parado, os músculos do core voltam a ficar fracos.

A pescadinha de rabo na boca.

Recorda que, com espondilolistese lombar, há alguns exercícios proibidos. Tudo o que seja stressar a coluna não é recomendável.

Em casos de espondilolistese e espondilólise, não se recomendam exercícios que possam exercer uma tensão indevida sobre a coluna vertebral, como levantamento de pesos, supino, abdominais com elevação do tronco ou exercícios lombares com elevação lateral ou elevação das costas.

Os seguintes exercícios estão proibidos em casos de espondilolistese:

  1. Exercícios baseados em extensão que carregam a coluna numa direção posterior para anterior.
  2. Exercícios baseados em flexão que carregam a coluna numa direção anterior para posterior.
  3. Exercícios baseados em rotações que carregam a coluna de forma rotatória.

O melhor exercício para a espondilolistese: a eletroestimulação

Porque é que, nestes casos, o melhor é a eletroestimulação?

O potencial que a eletroestimulação tem para fortalecer a zona lombar e abdominal sem stressar a articulação é espetacular.

1.º Fortalece apenas os músculos, sem necessidade de forçar a coluna nem as vértebras danificadas.
2.º Podes fazê-lo sentado e em casa.
3.º Só precisas de 20 minutos, 2 a 3 vezes por semana.
4.º Se tens uma dor aguda nas costas e precisas de uma massagem para reduzir a tensão, o eletroestimulador também tem essa função.
5.º Não trata apenas a origem do problema, mas também os sintomas. Se tens dor irradiada desde a coluna lombar até aos glúteos ou aos isquiotibiais, podes tratar estas zonas com massagem ou com fortalecimento, caso seja necessário. E volto a insistir: sem necessidade de stressar a parte lombar da coluna.
6.º Os exercícios para fortalecer a zona lombar ou os glúteos que fazes com o eletroestimulador não provocam contraturas nos músculos lombares. Não entras na corrida dos ratos nem na pescadinha de rabo na boca.
7.º Pode ser feito no momento que quiseres. Enquanto jantas, vês televisão, lês um livro ou trabalhas à distância. Podes fazer uma massagem ou fortalecer os músculos da zona lombar em qualquer altura.
8.º Reduzes a dor e melhoras a tua qualidade de vida.

Ainda mais conforto com a cinta para fortalecimento lombar

Se vais tratar a espondilolistese com eletroestimulação, tens de ter em conta que isto é para muito tempo. Mais concretamente, para o resto da tua vida.

A minha experiência é que, quando fortaleço, não há dor. Quando me descuido e deixo de fazer eletroestimulação lombar durante várias semanas… começam a aparecer os desconfortos.

Para conseguires criar a maior adesão possível ao tratamento, o ideal é que seja o mais simples possível. Podes fazê-lo com elétrodos ou com cinta. A desvantagem do elétrodo é que se gasta. Tem uma vida útil e é preciso trocá-lo de tempos a tempos.

Também é um pouco mais incómodo colocá-lo no local correto, sobretudo se não tiveres ninguém que te ajude a colocar os elétrodos nas costas.

No entanto, com a cinta, tudo é mais simples.

A cinta lombar de eletroestimulação serve para ambas as partes do core: tanto abdominal como lombar.

Eu gosto de lhe chamar cinta lombar porque é a minha companheira de fortalecimento. Três dias por semana, enquanto trabalho, uso-a para fazer exercícios que fortalecem a minha zona lombar.

Se este também é o teu caso e te identificas com estes sintomas… Dói-te as costas devido a uma espondilolistese lombar. Ficas com ambas as pernas bloqueadas quando estás de pé ou fazes exercício. Sempre que fortaleces a zona lombar acabas vários dias com contraturas e com mais dor. Ou, quando o tempo muda, sentes fortes desconfortos lombares.

A eletroestimulação interessa-te. Com ou sem cinta. Pode ser uma grande aliada.

Convido-te a dar uma vista de olhos aos diferentes modelos que tenho na minha loja e, se não tiveres a certeza de qual te pode servir, envia-me um e-mail ou uma mensagem por WhatsApp.

Seja Feliz

Pedro García.

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